Na década de 1970, o governo dos EUA implementou programas de planejamento familiar para as comunidades indígenas americanas; Jean Whitehorse foi uma das mulheres submetidas a procedimento de esterilização sem saber e hoje conta a sua história.

"Quando minha filha tinha 12 anos, sempre me perguntava por que não tinha irmãos e irmãs. Quando ela estava com 33 anos, contei o que haviam feito comigo", diz Jean Whitehorse. "Foi doloroso para ela saber o que aconteceu com a mãe".

Jean fazia parte da Nação Navajo — um território nativo americano que ocupa partes do Arizona, Utah e Novo México nos Estados Unidos. As pessoas que vivem nessa área são da tribo Navajo - uma das maiores tribos nativas americanas no país.

Ela foi uma das vítimas de um programa de planejamento familiar patrocinado pelo Estado que submeteu milhares de mulheres a esterilizações forçadas. Como ela, pelo menos 3,4 mil indígenas — de culturas onde a riqueza é medida pela quantidade de filhos e não por bens materiais — foram esterilizadas contra a vontade somente nos anos 70, ou seja, foram deliberadamente submetidas a técnicas para evitar a gravidez, como forma de controle da população.

Jean só soube que era uma delas quando não conseguiu engravidar do segundo filho.

Na época, ao procurar um hospital, foi informada de que havia sido esterilizada, e que isso havia acontecido —sem ela saber — anos antes, no mesmo dia em que havia passado por uma cirurgia para retirar o apêndice.

"Eles tiraram de mim todos os filhos que eu poderia ter gerado. Quando vejo famílias jovens com crianças sempre acho que eu poderia tê-los tido", diz. Em entrevista ao programa Outlook, da BBC, ela compartilhou sua dor, vergonha e raiva.